FOTÓGRAFO DE
ARQUITETURA

IVO TAVARES
STUDIO

PROJETO ANTIGO PROJETO RECENTE

Reabilitação histórica do Exmo Hotel no Porto.

Arco em pedra original que emoldura a escadaria em espiral branca, contraste entre o antigo e o moderno. — Exmo Hotel arquitetura Floret Arquitectura em Porto

INFORMAÇÃO TÉCNICA

ATELIER DE ARQUITETURA
ARQUITETO RESPONSÁVEL
Adriana Floret
COLABORAÇÃO
Marta Moraes, Maria d’Orey e Ana Carmo
LOCALIZAÇÃO
ANO DE CONCLUSÃO DA OBRA
ÁREA TOTAL CONSTRUÍDA (M2)
1078m2
FOTÓGRAFO

DESCRIÇÃO DO PROJETO


"A história deste edifício remontará ao século XIV. Na verdade, tudo indica que inicialmente seriam dois edifícios que evoluíram para a configuração actual. Durante o período almadino ganhou esta fachada neoclássica. No século XX a dupla Carlos Loureiro e Pádua Ramos desenharam-lhe uma escada modernista de uma elegância a toda a prova. Quando chegou a nossa vez, apenas nos restava respeitar todas estas camadas que tinham atingido ali um ponto de equilíbrio notável. Era um banco. Antes disso foi muitas coisas: escritórios de despachantes, de firmas de seguros, armazém. Casa nos primeiros tempos. Agora é um hotel. Amanhã não sabemos. Sabemos, no entanto, que quem vier a seguir continuará a conseguir reconhecer no edifício esta linha do tempo. E se tudo correr bem, pouco se aperceberá de que nós ali estivemos.

O edifício existente, em razoável estado de conservação, apresenta duas frentes. A principal orientada para a Rua do Infante Dom Henrique e a tardoz, para o edifício contíguo, a Alfândega Velha ou Casa do Infante (ano 1325), onde actualmente funciona o Arquivo Histórico Municipal do Porto, estando o nosso edifício encaixado num ângulo do torreão da primitiva alfândega, aproveitando a parede de pedra do mesmo. 

A reconstituição da linha do tempo permite-nos perceber que, na verdade, não estamos perante um edifício, mas de dois edifícios que que foram evoluindo até se fundirem numa única edificação. O edifício inicial talvez tenha sido erguido em finais do século XIV, ou no século XV. Seguramente, só poderá ter sido erguido apenas após a "abertura" da Rua Nova, ou Rua Formosa (atual Rua do Infante), mandada abrir por D. João I (1357-1433).

A proposta teve por base a pré-existência, a caracterização física do edifício e o novo programa, o qual prevê a manutenção da função de serviços, mas agora como unidade Hoteleira de 4 estrelas. 

Devido ao facto de se tratar de um prédio que se encontrava em uso, o seu relativo bom estado de conservação actual permitiu-nos pensar numa intervenção pouco intrusiva, usando as modificações realizadas ao longo do século XX, nomeadamente a introdução de lajes de betão. Fez-se uma leitura crítica das várias camadas históricas incorporadas no edifício e adotaram-se soluções para uma transição sem grandes dramatismos da função “banco” para a função “hotel”. O fio condutor foi o de acrescentar elementos sem comprometer a presença das várias camadas históricas e fazê-lo de forma a garantir a reversibilidade da intervenção.  De um modo geral, foram preservadas as fachadas, a estrutura principal em alvenaria de pedra e todos os elementos decorativos originais, incluindo algumas inscrições de siglas medievais gravadas por pedreiros. Também é possível ver um arco que remontará à edificação original e uma escada oitocentista que se pretende manter, fazendo parte do espaço multifuncional desenhado neste piso. Optou-se por preservar, pelo seu valor arquitectónico, a escadaria introduzida na década de 70.

As alterações prendem-se essencialmente com as divisões interiores e a organização do espaço para albergar a nova função. Serão melhoradas ainda as condições de conforto, adaptando o mesmo às exigências da função hoteleira."
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