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“No terceiro piso da calle Valência, do lado esquerdo do plano idealizado por Ildefonso Cerdá em Barcelona, encontramos um apartamento construído em 1980 e, ao que tudo indica, alterado durante os 36 anos que o separam da actualidade.
Espaços reduzidos e triturados com varandas transformadas em marquises, espaços escuros e tristes, uma vivência dinâmica transformada num espaço para viver, amorfo… provavelmente uma consequência do elevado custo do m2 e das necessidades programáticas dos anteriores proprietários.

Quisemos devolver a dinâmica ao apartamento e transportar o cosmopolitismo da cidade para a vivência privada dos seus actuais proprietários, sem que isso impedisse o apartamento de ser um refúgio dentro da cidade… quisemos recuperar a varanda e a dinâmica de um pátio interior de manzana, quisemos a luz de Barcelona para iluminar cada recanto…
Abrimos então um grande salão à entrada do piso onde situamos as zonas sociais e “escondemos” os quartos por detrás de uma porta dissimulada, deixando apenas que se percebam desde a varanda, para a qual os quartos se abrem.
A suíte que percorre uma das laterais do piso, não escapa à regra e toda ela é também um open space que se fecha consoante as vontades, através de portas de correr. Uma parede espelhada conduz-nos à casa de banho e a um espelho que reflecte o olhar de volta ao típico pátio interior de manzana, não deixando que em momento algum nos esqueçamos da cidade onde vivemos!

Poucos materiais e unidade cromática fazem deste piso um espaço calmo e tranquilo, como que uma folha em branco, pronto pra receber vivências e memórias!”

texto. Paulo Martins.

localização.Barcelona
ano. 2017
arquitetura.Paulo Martins Arquitecto
fotografia.Ivo Tavares Studio

en

” On the third floor of an apartment complex on Calle Valencia, situated on the left side of the city plan conceived by Ildefonso Cerdá, in Barcelona, there is an apartment that was built in 1980 and has apparently undergone several changes in the last 36 years.
Small spaces, cramped with balconies turned into sun rooms; dark, sad spaces, a dynamic experience transformed into a living space, amorphous… probably a consequence of the high cost per square meter and the programmatic needs of previous owners.

We wanted to return the apartment to its former dynamics and transport the cosmopolitanism of the city into the private experience of its current owners, keeping the apartment as a refuge within the city… we wanted to recover the balcony and the dynamics of a manzana inner courtyard, and permit the light of Barcelona to illuminate every corner.
We enter into a large open living space where the social areas are located. The sleeping quarters are hidden behind a covert door that can only be seen from the balcony onto which the rooms open.
The suite that runs along one side of the apartment does not escape the rule, and it’s also an open space that can be closed through sliding doors. A mirrored wall leads to the bathroom where there is a mirror that reflects the typical manzana inner courtyard, not allowing us, at any moment, to forget the city we live in!

The use of few materials and a chromatic unit make this apartment a quiet and peaceful space, like a clean slate, ready to embrace new experiences and memories!”

text. Paulo Martins.

location.Barcelona
year.
2017
architecture.
Paulo Martins Architecture
photography.
Ivo Tavares Studio