FOTÓGRAFO DE
ARQUITETURA

IVO TAVARES
STUDIO

PROJETO ANTIGO PROJETO RECENTE

Casa TT na Maia

Vista exterior da casa com fachada branca, aberturas geométricas, relvado e pessoa a caminhar. — Casa TT na Maia arquitetura Adoff Arquitectos em Maia

A fachada tardoz cria jogos de luz e sombra.

Vista exterior da casa com fachada branca, aberturas geométricas, relvado e pessoa a caminhar. — Casa TT na Maia arquitetura Adoff Arquitectos em Maia

INFORMAÇÃO TÉCNICA

ATELIER DE ARQUITETURA
ARQUITETO RESPONSÁVEL
António do Fundo Ferreira
COLABORAÇÃO
Pedro Amendoeira
LOCALIZAÇÃO
ANO DE CONCLUSÃO DA OBRA
ÁREA TOTAL CONSTRUÍDA (M2)
500m2
FOTÓGRAFO

DESCRIÇÃO DO PROJETO


"Este conjunto edificado situa-se no centro da cidade da Maia, teve origem numa casa de lavoura do inicio do século XX, outrora implantada numa propriedade agrícola de maiores dimensões. Absorvida pelo crescimento urbano da cidade da Maia, ao longo do tempo esta habitação sofreu várias alterações, em particular uma ampliação na década de 80 justaposta à fachada tardoz.

Foram identificas duas fases da edificação distintas nas suas formas geométricas e construtivas, são representativas de duas épocas de construção em Portugal. 

O edifício original (primeira fase) tem uma ordenação marcadamente ortogonal, serena e simples dos alçados e da sua volumetria, decorrente da herança dos processos de simplificação e sistematização do barroco, iniciada no período do iluminismo pombalino e protagonizada à maneira austera dos construtores locais. Estruturalmente, o sistema construtivo desta fase caracteriza-se por paredes portantes em alvenaria de pedra e por vigamentos de madeira para os pavimentos dos pisos superiores e telhado da cobertura. 

A ampliação dos anos 80 (segunda fase), é uma edificação onde a volumetria e os alçados não se ordenavam pelos princípios geométricos de composição clássica, representa uma total desajustada proporção volumétrica, organização desacuada e com um sistema construtivo distinto do original assenta em pilares, vigas e laje em betão armado. A identidade diferenciada destas duas fases construtivas distinguia-se igualmente na forma de distribuição do programa. No edifício original o rés-do-chão era um espaço único amplo para arrumos de apoio agricultura com pequeno um lagar de uvas, enquanto o primeiro piso destinado à habitação, estava dividido em nove compartimentos distribuídos ao longo de dois corredores, um longitudinal e outro transversal, dispostos em forma de “T”. A ampliação, foi uma expansão da área de habitação na fachada tardoz, com uma sucessão de espaços organizados sem zonas de circulação.

A desadequação do programa e da compartimentação interior do edifício original (relativamente às necessidades do novo utilizador), o desajuste da integração das volumetrias e dos alçados da ampliação face a esta primeira fase de construção e a má articulação entre os espaços interiores e os usos no exterior, foram os meios fundamentais para determinar e conduzir o projecto na intervenção de reabilitação deste conjunto edificado.

Após uma leitura sobre a qualidade arquitectónica das duas principais fases construtivas e no intuito de valorizar o património existente, concluiu-se ser necessário preservar as características da linguagem do edifício original e criar uma nova linguagem que requalificasse os elementos dissonantes pré-existentes e desse uma homogeneidade entre eles. Este contraponto, surge através do contraste entre duas linguagens distintas, é determinante na expressividade e identidade formal da proposta.

No edifício original este diálogo encontra-se em acções pontuais como a adição e subtracção de paredes, adequando as novas funções do programa aos espaços pré-existentes. Assim no piso térreo, antes um espaço único, construi-se uma volumetria (para a lavandaria e uma instalação sanitária) localizada sensivelmente a meio do espaço e o divide em dois, de um lado uma zona de entrada (com a garagem e armários de arrumação) e do outro uma sala de estar. No primeiro piso, aproveitando-se os corredores e a compartimentação pré-existente, a intervenção procura clarificar a existência de duas zonas funcionais, a das áreas comuns (cozinha e sala) e a dos quartos. A zona da cozinha e da sala desenvolve-se agora em “L”, estes dois compartimentos comunicam visualmente entre si e estão separados por uma porta, através da qual é possível estender a zona de refeições da cozinha para o interior da sala.

A ampliação, por seu lado, fazia parte dos elementos dissonantes a requalificar, a sua reformulação surgiu da vontade de libertar-se a volumetria da fachada tardoz do edifício original e da necessidade de se ter um espaço exterior coberto. Assim transformou-se, num “alpendre de dois pisos” articulado com o jardim, servindo de interface entre as funções interiores e os usos no exterior. Aproveitando-se a plasticidade deste sistema construtivo, volumetricamente esta reconfiguração procura, por um lado, algumas continuidades através dos alinhamentos do plano de cobertura e da fachada norte com o edifício original, e por outro, pretende destacar-se deste através de uma linguagem mais abstrata de contraste que o valorize (duas linguagens dois períodos construtivos), assumindo-se a desfragmentação volumétrica resultante do crescimento deste conjunto edificado por somatórios. Redesenharam-se os alçados com vãos amplos e a articulação entre os dois pisos com zonas de pé-direito duplo, procurando libertar-se os vãos (as janelas e as portas) da fachada tardoz do edifício original para a entrada de luz natural e relações visuais sobre o jardim. Estes espaços criam jogos de luz e sombra, confrontando a geometria das formas da arquitectura com os elementos naturais do jardim, enfatizando o dramatismo da passagem do tempo nas suas diversas escalas.

A geometria do jardim clarificou-se em função de continuidades com o novo desenho da proposta, para além das circulações criaram-se zonas de estar associadas ao interior."
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