FOTÓGRAFO DE
ARQUITETURA

IVO TAVARES
STUDIO

PROJETO ANTIGO PROJETO RECENTE

Associação Paralisia Cerebral de Odemira – APCO

Associação Paralesia Cerebral de Odemira arquitetura Filipe Xavier e fotografia Ivo Tavares Studio

Uma ferida na paisagem transformada em arquitetura para a inclusão. A Associação Paralisia Cerebral de Odemira – APCO, projetado por Filipe Xavier Oliveira, cria um espaço acessível e sensorial, onde cores, luz e formas promovem autonomia e bem-estar.

Associação Paralesia Cerebral de Odemira arquitetura Filipe Xavier e fotografia Ivo Tavares Studio

INFORMAÇÃO TÉCNICA

ATELIER DE ARQUITETURA
ARQUITETO RESPONSÁVEL
Filipe Xavier Oliveira
LOCALIZAÇÃO
ANO DE CONCLUSÃO DA OBRA
ÁREA TOTAL CONSTRUÍDA (M2)
994 m2
FOTÓGRAFO

DESCRIÇÃO DO PROJETO

“ 'O Caos é uma Ordem por decifrar' – Saramago, 2008 O projecto para a Associação de Paralisia Cerebral de Odemira (APCO) consiste num centro de atividades ocupacionais localizado na Quinta da Estrela. O edifício organiza-se segundo uma disposição em L que se volta para um afloramento rochoso o que origina um pátio exterior facilmente controlável em termos de acessos, garantindo a segurança dos utentes, mas também a sua privacidade. O que outrora fora uma 'ferida' dentro da Vila, por se tratar de uma encosta recortada, transforma-se agora num elemento escultórico do pátio exterior, o cenário para o qual o edifício se vira. A geometrização do espaço exterior transformou o caos em harmonia. A poética surge do contraste entre a ordem e o caos controlado. A entrada principal do edifício faz-se a poente por uma nova via a executar dentro da vila de Odemira, em diálogo urbano com o edifício da Olaria Municipal, resultando num remate urbano ordenado para a Quinta da Estrela que se prevê ajardinada e de estacionamento publico regrado. O edifício da APCO teria que ter um design inclusivo, motivo pelo qual se desenvolve num só nível sem barreiras físicas entre interior e exterior. A entrada é a única excepção entendida como 'podium' do edifício publico que é, com acesso a partir de uma rampa. O alçado urbano tem uma composição clássica de natureza triptica com soco, corpo e entablamento. Em perspectiva verifica-se igualmente um degradé sequencial de cores em direção ao branco da vila. O ocre dialoga com a encosta e o vermelho marca a Arquitectura. A distribuição funcional do edifício funciona segundo uma logica de níveis de acesso marcada por cores quer na fachada quer no pavimento, tornando-o inteligível para os utentes e assim promovendo a sua maior independência. A ala vermelha corresponde aos serviços de direção e de funcionários, logo de acesso mais condicionado. A ala ocre, marcado em pavimento e tijolo corresponde aos espaços de lazer e de bem estar: sala de convívio e de terapia. Por fim a ala correspondente ao tijolo branco diz respeito as três salas de actividades. A circulação do edifício é entendida como uma 'promenade architectural', com a recepção como 'casa de partida' pontuada por uma seta verde. O percurso criado, também ele em L, garante variedade e orientação espacial e promove o deambular pelo edifício culminando em duas entradas de luz zenitais de caracter distinto: um átrio piramidal perto da sala das actividades e um amplo clerestório que funciona como 'relógio de sol' e espaço expositivo. Procurou-se espaços icónicos e mutáveis com o Tempo que garantam uma experiencia sensorial relaxante mas intensa, que promova os estímulos motores dos utentes em segurança. O estimulo táctil e visual foi igualmente explorado, ao integrar no interior materiais como o tijolo à vista, que compõem e marcam volumes puros, facilmente percetíveis. Os espaços interiores criados são amplos e luminosos com recurso a grandes envidraçados protegidos por palas, que recolhem em alguns casos, integralmente para o interior das paredes, diluindo ao máximo a ideia de limite entre o fora e o dentro. O conforto térmico no verão é alcançado pelo efeito chaminé e de ventilação cruzada uma vez que o clerestório se pode abrir automaticamente. Procurou-se contruir um equipamento publico de qualidade e socialmente digno que fosse inclusivo e que perdurasse no Tempo em termos de linguagem, sem renegar as suas origens Vitruvianas e princípios Modernistas, entendidas como o “novo clássico”. Como Vila Nova Artigas bem referiu: 'Admiro os poetas, o que eles dizem com duas palavras a gente tem que exprimir com milhares de tijolos'. " Texto fornecido pelo arquiteto responsável

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