FOTÓGRAFO DE
ARQUITETURA

IVO TAVARES
STUDIO

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Assembleia da Granja, do atelier Lousinha Arquitectos, é a reconstrução de um edifício histórico do século XIX que recebeu reis e escritores portugueses. Reinventado com uma linguagem contemporânea, destaca-se pelo grande quebra-luz escultórico que evoca as árvores centenárias da envolvente, valorizando luz, pátios e vida urbana na Praia da Granja.

Exterior: Edifício com estrutura metálica geométrica e céu azul ao fundo. — Assembleia da Granja arquitetura Lousinha Arquitectos em Vila Nova de Gaia

INFORMAÇÃO TÉCNICA

ATELIER DE ARQUITETURA
ARQUITETO RESPONSÁVEL
Paulo Lousinha
COLABORAÇÃO
José Miguel Figueiredo, Rafael Sangareau, Shen Qian, Francisco Pinhal, Ana Mota Pinto, Elisa Lousinha
LOCALIZAÇÃO
ANO DE CONCLUSÃO DA OBRA
ÁREA TOTAL CONSTRUÍDA (M2)
3595 m2
CLIENTE
Companhia da Assembleia da Granja, S.A.
PAISAGISMO
Lousinha Arquitectos
FOTÓGRAFO

DESCRIÇÃO DO PROJETO

"A antiga Assembleia da Granja ocupa um quarteirão inteiro no centro da Praia da Granja. É um edifício do final do século XIX que nasceu do impulso de quem veraneava aqui e que, durante décadas, marcou a vida social do lugar. Nos seus anos de esplendor, acolheu figuras de destaque da vida cultural e social portuguesa, entre as quais o Rei D. Carlos e a Rainha D. Amélia, o Príncipe Luís, escritores como Eça de Queirós, Camilo Castelo Branco e Sophia de Mello Breyner, a violoncelista Guilhermina Suggia, entre muitos outros. Ramalho Ortigão, também assíduo frequentador, descrevia já em 1876 a Praia da Granja como “a mais gloriosa, a mais fresca, a mais asseada das estações de recreio em Portugal”. Depois de mais de quarenta anos abandonado, o edifício estava em ruína iminente. A intervenção partiu de um princípio simples: preservar a memória colectiva que a “Assembleia da Granja” representa, mas reconstruindo um edifício capaz de responder aos modos de habitar contemporâneos. O estado de degradação obrigou a demolir o que restava, para o erguer de novo com a mesma escala, volume e linguagem. O frontão nascente foi desmontado pedra a pedra, numerado e remontado exactamente onde sempre esteve — um gesto de anastilose que garante continuidade ao lugar. A reconstrução não tenta esconder a passagem do tempo. A linguagem recuperada do edifício original convive com a ampliação a poente, marcada por um grande quebra-luz escultórico que remete, de forma abstracta, para as árvores centenárias da envolvente. O projecto organiza-se a partir de um eixo de simetria nascente-poente que estrutura os acessos e a distribuição interior. Esse eixo atravessa um pátio que funciona como claustro, iluminando e ventilando naturalmente as circulações e os apartamentos. É o espaço mais surpreendente do edifício, só perceptível quando se entra no seu interior. Distribuem-se aqui 14 habitações e duas unidades para comércio ou serviços. As tipologias variam entre apartamentos compactos e unidades com mezanino ou amplas varandas voltadas a poente, algumas com pé-direito duplo e uma relação directa com a luz do fim de tarde sobre o mar. A cave ocupa praticamente todo o lote e é iluminada e ventilada naturalmente através de lanternins e da transparência dos acessos. A intervenção devolve continuidade à frente urbana da Granja e resolve uma ferida que durante décadas se impôs a quem chegava de comboio. Ao trazer novos moradores e espaços de uso público, contribui também para a actividade local num território ainda marcado pela sazonalidade. "
Texto fornecido pelo atelier de arquitetura.
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