FOTÓGRAFO DE
ARQUITETURA

IVO TAVARES
STUDIO

PROJETO ANTIGO PROJETO RECENTE

A Casa do Engenho, de Silverline, reabilita um edifício agrícola do séc. XVIII em Vila Nova de Gaia. Um interior contemporâneo onde memória, continuidade geracional, madeira e luz natural criam um espaço fluido, acolhedor e funcional.

Sala de estar: Estantes em madeira escura com iluminação embutida, sofá branco e cadeirões bege. — Casa do Engenho arquitetura silverline em Vila Nova de Gaia

INFORMAÇÃO TÉCNICA

ATELIER DE ARQUITETURA
ARQUITETO RESPONSÁVEL
Jorge Prata e Eduardo Soares
COLABORAÇÃO
Beatriz Ferreira, Joana Poças, Nelson Amado
LOCALIZAÇÃO
ANO DE CONCLUSÃO DA OBRA
ÁREA TOTAL CONSTRUÍDA (M2)
517.23m2
PROJETO LUMINOTÉCNICO
Silverline
FOTÓGRAFO

DESCRIÇÃO DO PROJETO

"No desenvolvimento deste projeto, os clientes, juntamente com filhos e netos, encontravam-se a iniciar uma nova etapa da sua existência. Ao longo de toda a sua trajetória profissional, pautaram-se pelo cuidado na preservação e no respeito transmitido às gerações seguintes. Procuraram agora incorporar esses mesmos valores no seu espaço de habitação, conferindo-lhe continuidade e vitalidade e, acima de tudo, mais significado. Após três meses a residir na casa da piscina, devido a uma intervenção na casa principal, a família reconhece o potencial do espaço, o que motivou a realização da intervenção na atual “Casa do Engenho”. A proximidade entre clientes e arquitetos, amigos de longa data, permitiu compreender de forma profunda as vivências e necessidades da família, servindo também de inspiração para a conceção do projeto. A “atitude de coragem” por parte do cliente e “o acompanhamento de obra indispensável, permitiu que o projeto tivesse este desfecho” (Proprietário, 2025). A intervenção na Casa do Engenho reflete este desejo de conjugar tradição e futuro, conservando a memória do lugar enquanto lhe proporciona renovação, funcionalidade e conforto - princípios que merecem aqui o nosso reconhecimento e agradecimento. A Casa do Engenho é uma obra de intervenção num edifício outrora destinado a prolongar a vivência da casa principal, acolhendo celebrações e encontros familiares. Implantada no seio de uma propriedade agrícola em Vila Nova de Gaia - território de relevos suaves -, a construção integra um conjunto edificado do início do século XVIII, no qual se incluem a residência principal, áreas de cultivo, eira, poços, um deles “engenho” e outros pequenos edifícios de apoio. A proposta assenta numa transformação integral do interior, preservando, todavia, a integridade estrutural e a expressão arquitetónica exterior, cuja leitura foi clarificada através da ordenação da métrica da fachada e da introdução de novas portadas assegurando conforto e flexibilidade na gestão da luminosidade interior. Antes da intervenção, a casa da piscina apresentava uma organização rígida, compartimentada e impessoal, composta por uma garagem, um salão e uma cozinha, todos independentes e desarticulados, o que limitava a vivência dos espaços em termos funcionais. É precisamente na tentativa de combater estas barreiras que surge a oportunidade de repensar a organização interior para função e exigência habitacional. Embora em continuidade física com a casa principal, este corpo adquire identidade própria, afirmando-se com uma linguagem mais contemporânea e contrastante. O interior foi pensado para modernizar e revitalizar os espaços, explorando ao máximo a permeabilidade visual e a luz natural proveniente sobretudo de poente. O programa habitacional distribui-se em dois pisos já existentes, interligados através de uma escada contemporânea. A escada original foi reabilitada, assumindo-se como elemento simbólico e escultórico no desenho final. Constituída, na sua base, por degraus em pedra, coincidentes com o pavimento do hall de entrada, estabelecem uma continuidade material entre os espaços. A restante escada desenvolve-se numa sequência dos degraus em madeira, que introduzem leveza, calor e ritmo ao percurso ascendente, desde as zonas mais públicas da casa até às zonas mais íntima da habitação. No piso térreo concentram-se as áreas sociais, organizadas num espaço contínuo, onde sala de estar, sala de jantar e cozinha constituem um só ambiente. A fluidez entre os espaços é reforçada pela uniformidade material, em particular pela presença da madeira, que confere unidade e amplitude. A relação entre sala e cozinha pode ser controlada por painéis deslizantes em madeira, permitindo controlar a abertura ou a privacidade consoante a ocasião. Ainda neste piso, o programa integra lavandaria, despensa, instalação sanitária de serviço, garagem e a suíte principal, composta por closet, instalação sanitária e área de spa com ligação direta ao exterior. O piso superior acolhe duas suítes e um salão amplo, todos com acesso a varandas. A cobertura inclinada integra claraboias estrategicamente posicionadas, que asseguram iluminação natural. Além disso, prolonga-se para além do perímetro da casa, formando uma área exterior coberta que amplia as possibilidades de uso e permanência, ao mesmo tempo que assegura proteção solar. Após a intervenção, o edifício adquire um novo protagonismo de toda a propriedade, deixando de ser um espaço complementar para se afirmar como a habitação principal da família. A requalificação devolve-lhe vitalidade e significado, salvaguardando a memória do lugar. A materialidade recorre a elementos naturais, capazes de dialogar com a pré-existência, enquanto a espacialidade interior privilegia a continuidade, a fluidez e a relação entre interior e exterior, garantindo a continuidade da vivência familiar num espaço renovado, luminoso e acolhedor. " Texto fornecido pelo atelier de arquitetura
subscreve a newsletter mensal "Cartas Para Quem Habita".

PRIVACIDADE

Usamos cookies para medir visitas e para carregar vídeos e áudio do YouTube e Spotify. Se recusar, os vídeos e conteúdos de áudio não serão exibidos.