DESCRIÇÃO DO PROJETO
"Casa A
O terreno de Barros não se entrega facilmente. É uma partitura de inclinações, um mapa irregular que desafia a gravidade. A nascente, a força do muro de pedra eleva o olhar; a poente, as ruas desenham o limite. Um vazio urbano que clamava por preenchimento, uma tela em branco à espera de um gesto.
A resposta foi um sussurro à terra, não um grito. Em vez de dominar o declive, optámos por o ouvir e acompanhar. A arquitetura nasceu da modelação, da ideia de criar socalcos e patamares, como degraus que nos levam do caos à ordem.
Assim, o edifício é um organismo que respira com o terreno. Dois planos horizontais, simples na sua pureza, pousam desfasados, abraçando a encosta. Não há rigidez, há movimento. A casa abre-se em direção a Sul e Poente, como uma planta que procura o sol. As vistas desafogadas são a recompensa, quadros vivos da paisagem que entram pelas janelas.
A materialidade é discreta, um regresso ao elementar. As coberturas são um mimetismo consciente, um disfarce que funde a construção com o que a rodeia. Os muros de suporte, alinham-se com a rua, costurando a malha urbana com delicadeza.
Da Rua de Barros, o acesso. A rampa que vence os seis metros de desnível é a transição, a passagem do mundo exterior para o refúgio privado, promovendo no interior outros olhares.
Esta não é apenas mais uma casa, é um abrigo que encontra o seu equilíbrio na inclinação e no horizonte. É a materialização de uma ideia onde a contenção se encontra com a poesia do lugar, transformando um declive acentuado numa harmonia habitável, um lugar onde o espaço exterior, valorizado e hierarquizado, convida ao repouso junto à água da piscina, sob o céu de Braga. "
Texto fornecido pelo atelier de arquitetura.
Texto fornecido pelo atelier de arquitetura.



















































































