FOTÓGRAFO DE
ARQUITETURA

IVO TAVARES
STUDIO

PROJETO ANTIGO

Casa Âncora, projeto de habitação de Tiago Sousa em Caminha, ergue-se num lugar acidentado entre rochas e mar como um volume denso e irregular que evoca a topografia envolvente. Betão, pedra, barro e cal natural materializam uma casa de aberturas pontuais, orientadas para a linha de costa.

Fachada branca texturada com varanda, porta de madeira e vão, em frente à costa rochosa — CASA ÂNCORA arquitectura Tiago Sousa Arquitecto fotografia Ivo Tavares

INFORMAÇÃO TÉCNICA

ATELIER DE ARQUITETURA
ARQUITETO RESPONSÁVEL
Tiago Sousa
LOCALIZAÇÃO
ANO DE CONCLUSÃO DA OBRA
ÁREA TOTAL CONSTRUÍDA (M2)
123.00m2
PAISAGISMO
Tiago Sousa
FOTÓGRAFO

DESCRIÇÃO DO PROJETO

"Casa Âncora

Um lugar distante, acidentado e sereno, marcado pelo contraste entre o calor e o frio.

Longe da agitação urbana e próximo do mar, este é um lugar de encontro entre rochas e água, que as contorna ou embate num ritmo constante e irregular.

No lugar, observamos a linha do mar no horizonte que se prolonga e transforma numa paisagem montanhosa e sinuosa.

É um espaço de permanência envolvido pelo calor do sol e pela frescura do mar quando se impõe.

É um lugar de memória, de encontro e de contemplação.

Neste contexto, encontramos um volume construído que se adulterou ao longo do tempo, em resposta às necessidades dos vários proprietários. Sem estabelecer uma relação significativa com o lugar, a construção foi, na sua maioria, demolida.

A nova Casa Âncora foi desenhada com o propósito de se inserir no sítio de forma natural e coerente. A proposta assenta, assim, numa relação de simbiose entre construção, lugar e forma onde a contemplação e a inserção ao local são primordiais.

O projeto procura responder às necessidades da família. Trata-se de uma moradia composta por três quartos, salas, cozinha e três instalações sanitárias. O programa organiza-se em dois pisos: no piso de entrada, correspondente ao piso 0, situam-se os espaços sociais, a cozinha e uma suite; no piso superior, dois quartos e uma instalação sanitária.

O sistema construtivo é de estrutura de betão ou paredes de pedra existente revestidos a sistema Etics. O interior, pavimento cerâmico de barro, paredes e tectos em gesso projetado a base de cal natural. As instalações sanitárias em azulejo.

O espaço exterior é natural com vegetação autóctone. Os elementos construtivos em pedra, muros existentes, são para manter.

A proximidade à costa, bem como a irregularidade e a robustez da massa rochosa em que o projeto se insere, constituem os aspetos determinantes para o seu desenho e materialização. A partir da análise do sítio, desenhámos e organizámos os espaços e a forma.

A forma irregular da proposta, composta por um conjunto de alturas, volumes e inclinações, procura estabelecer uma relação contínua com a topografia e com a expressão natural do lugar, evocando um aglomerado rochoso.

A sua materialização, irregular e quase aleatória, conjuga-se com a textura natural da rocha.

A volumetria apresenta-se como um volume denso, marcado por aberturas pontuais que reforçam o sentimento de proximidade à costa. Estas aberturas, orientadas para a linha de costa, de forma perfeita – quadrados –, de dimensões e orientações variadas criam-nos sensações díspares do sítio. É na perceção da linha de costa, na observação do encontro entre o mar e a terra que o lugar revela a sua singularidade.

Sempre presente a ideia de proporcionar uma experiência sensorial do lugar, desenhámos uma escadaria que permite o acesso à cobertura. A partir daí, dessa laje plana e construída sente-se uma ligação livre e direta ao mar e às rochas.

É do mar, do sol e do solo (rochas) que traçamos a nossa habitação."

Arq. Tiago Sousa

Texto fornecido pelo atelier de arquitetura.

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