DESCRIÇÃO DO PROJETO
“Sociedade de Vinhos Borges, S.A.
Adega Borges — Arquitetura do Tempo e da Terra
Em Sabrosa, no coração do Douro Vinhateiro, nasce a nova Adega Borges, um projeto que procura traduzir em arquitetura a essência do vinho: o tempo, a matéria e a paisagem. Mais do que um edifício industrial, esta adega é pensada como um lugar de transformação e memória, onde a uva se torna património e o território encontra a sua forma construída.
A proposta resulta da junção e reorganização de dois lotes, unificando-os numa única volumetria coerente, capaz de acolher todo o processo produtivo da marca Vinhos Borges, uma das mais antigas e reconhecidas casas do Douro.
Esta intervenção não pretende apenas otimizar a área disponível — que totaliza cerca de 4000 m² ao nível do rés do chão, com uma cave de 1000 m² e um mezanino de 328 m² , mas sobretudo construir uma nova imagem de conjunto, harmoniosa e integrada na topografia sinuosa da região.
A implantação resulta de um diálogo atento com o terreno, marcado por uma pendente natural de norte para sul. A arquitetura encontra o seu eixo a meio do lote, equilibrando o edifício entre o solo e o horizonte. Assim, a norte a construção surge mais abrigada, parcialmente enterrada; a sul, eleva-se ligeiramente, permitindo ventilação natural e uma leitura leve da volumetria.
A matéria é o primeiro gesto poético do projeto. O xisto da região reveste partes do edifício, ancorando-o ao solo e lembrando as encostas do Douro. Os painéis metálicos em tonalidades vínicas complementam este gesto, refletindo as cores profundas do vinho e a luz quente da paisagem. Grandes panos de vidro abrem o edifício ao exterior, transformando a fachada principal numa janela sobre o território — onde o interior e o vale conferenciam num jogo subtil de reflexos e transparências.
No interior, o espaço organiza-se em função do processo produtivo. A zona central é o coração da adega, onde repousam as cubas de inox de grande porte, envoltas por passadiços de manutenção que revelam o rigor técnico e a dimensão quase escultórica do ato de vinificar. Nas extremidades e no mezanino, encontram-se as áreas administrativas e sociais, pensadas com o mesmo cuidado que define o conjunto.
A cobertura, de cércea uniforme, preserva a sobriedade da volumetria, enquanto ligeiros desníveis interiores permitem um pé-direito superior a sete metros, necessário à escala do processo de fermentação. No exterior, pequenos intervalos verdes entre volumes desmaterializam a fachada e integram o edifício na paisagem, criando um ritmo visual que respira com o terreno.
A Adega Borges é, assim, mais do que um edifício: é um manifesto silencioso sobre o tempo e a matéria. Entre o xisto e o vinho, entre a luz e a sombra, entre o gesto humano e o ciclo da natureza, a arquitetura torna-se continuação da vinha — o espaço onde a terra se converte em legado.”
Escrito pelo atelier de arquitetura "
Texto fornecido pelo atelier de arquitetura.
Texto fornecido pelo atelier de arquitetura.







































































