DESCRIÇÃO DO PROJETO
Há encomendas difíceis de interpretar, mais ainda de corporizar. Ora porque inerentes a rotinas habitacionais, ora porque desejosas de tudo o que se admite de excepcional. No caso, tudo se passa num prédio anónimo, numa habitação dita “apartamento” que não acrescenta qualidade patrimonial ou vivencial (antes repetindo um receituário habitacional próprio de tantos lugares marginais ao mar) e que reclamam um outro tratamento e vivência, em nome da vontade intrínseca a quem o habita, fruto de uma área exterior superior àquela interior, porque de potencial Arquitectónico muito elevado. Reorganizar o espaço global, racionalizando funções e optimizando circulações, rentabilizando áreas e incrementando a relação interior | exterior, enobrecendo o espaço vivencial e social, conformando o espaço reservado e íntimo, foi a grande premissa de trabalho. Recentrar a zona dita social, desmembrando-a numa componente interior e outra exterior, estendendo-a na sua percepção, apropriação e uso a todos aqueles que acedem | acederão à unidade habitacional, promovendo uma diluição de fronteiras e utilizações, gerando fluidez, criando permeabilidade de circulações e liberdade própria do tempo de veraneio, foi o grande caminho percorrido para alcançar a solução! Transfigurar e transformar, dotando esta habitação de um “requinte interior” que supera a sua organização interna tão pouco maturada e atenta á especificidade do morador, dotando esta habitação de um espaço exterior, disponibilizando o que para muitos será “jardim”, para outros, puro ócio. No caso, oportunidade de vivência e morada! No interior, fixou-se a zona de estar, comer e cozinhar como o espaço fulcral da habitação, ao qual se acopla as unidades de dormida e um longo espaço exterior que pressupõe o mesmo uso: estar, comer e cozinhar. Fez-se uso da pedra mármore e do porcelânico, do reboco e do gesso cartonado, do pavimento flutuante e (pontualmente) da alcatifa, de materiais e equipamentos ajustados e justos ao ambiente a criar. Recheou-se o espaço exterior de áreas de lazer e estar enquadradas no deck de madeira, áreas de banho e ócio, de convívio e socialização, numa intervenção dividida entre 160 m² de área interior habitacional, 100 m² de área exterior coberta e 200 m² de área exterior descoberta, numa sã e diluída relação entre interior e exterior que guarda três quartos e múltiplas espacialidades de estar, distribuição e circulação, de lazer e prazer. Dir-se-á de que se trata de um espaço que fala de conforto e se completa com estética, na criação de um ambiente único, feito de luz natural ou iluminação artificial, feito de pretexto para estar ou banhar, feito de oportunidade de estender o interior habitacional ou avistar o céu azul sem fim... Ou seja, habitação e espaço feitos de realidade e sonho, satisfação plena que só os habitantes daquela habitação irrepetível sabem melhor descrever e sentir! É disso que se trata: de satisfação plena. E de, neste processo, a arquitectura ser protagonista maior! "
Texto fornecido pelo atelier de arquitetura."












































































