DESCRIÇÃO DO PROJETO
"Paulo Martins Arquitectura e Design tem o prazer de anunciar “Beira Mar II”. Situado no bairro da Beira-Mar, em Aveiro, onde as ruas se dobram, os lotes se torcem e a cidade cresce por sobre si própria, nasce uma casa pequena mas intensamente pensada.
Num terreno irregular e mínimo, o projeto não tenta corrigir a forma do lugar. Aceita-a. E a partir dela constrói. A moradia nasce do diálogo entre duas forças: a organicidade do bairro e a precisão do desenho. As geometrias são claras, os alinhamentos firmes, a linguagem é contemporânea mas nunca indiferente ao que a rodeia. Não copia a cidade: escuta-a.
Ao nível da rua, a madeira aproxima. Toca. Acolhe. O edifício não se impõe: conversa com quem passa. Acima, o cerâmico branco assume-se como memória reinterpretada; eco distante da tradição azulejar de Aveiro, agora depurada, silenciosa, quase abstrata.
A casa organiza-se em dois níveis voltados a poente, perseguindo a luz como matéria essencial. Um pátio vertical abre o tardoz ao céu, deixando que o azul desça pelo interior. Uma linha luminosa atravessa o espaço como gesto arquitetónico, guiando o olhar, desacelerando o corpo, afastando a mente do ruído da rua.
Os quartos pousam no piso térreo, recolhidos, calmos. O espaço social sobe, para poder ver mais longe. Ali, um grande plano de vidro dissolve os limites entre dentro e fora. A casa deixa de ser caixa e passa a ser lugar de luz. O sol entra, atravessa, fica até ao último instante do dia.No topo, o terraço não é apenas exterior. É miradouro, é pausa, é respiração. A cidade estende-se aos pés. A cúpula de São Gonçalinho marca o horizonte. As salinas, ao fundo, devolvem ao céu o dourado do pôr do sol. Aqui, o tempo abranda.
No interior, quase nada pesa. Os espaços são livres, prontos a mudar com quem os habita. Poucos materiais, muita intenção. A luz desenha percursos. As perspetivas surpreendem. A casa não se explica, descobre-se. Com apenas 98 m2 num lote de 51 m2, esta moradia não é um exercício de contenção, mas de precisão. Cada gesto é necessário. Cada linha tem sentido. É arquitetura que usa menos para dar mais: mais luz, mais cidade, mais forma de viver.
“Com o projecto Beira Mar II, a nossa visão foi escutar atentamente o lugar e transformar as suas limitações numa arquitectura precisa, luminosa e profundamente habitável”, explica Paulo Martins. “Criámos uma casa que se integra na malha orgânica do bairro e que, ao mesmo tempo, oferece um afastamento subtil do ritmo da cidade. Num lote mínimo e irregular, o principal objectivo foi desenhar um espaço onde a luz, a proporção e o silêncio construíssem uma forma de viver mais consciente. Este projecto é uma celebração da arquitectura pensada ao detalhe, que utiliza poucos materiais com máxima intenção para criar uma experiência de habitar serena, equilibrada e genuinamente feita à medida.” "
Texto fornecido pelo atelier de arquitetura.
Texto fornecido pelo atelier de arquitetura.



























































