FOTÓGRAFO DE
ARQUITETURA

IVO TAVARES
STUDIO

PROJETO ANTIGO PROJETO RECENTE

Beira Mar II, do atelier Paulo Martins Arquitectura & Design, transforma um lote pequeno em Aveiro numa casa urbana luminosa e serena, onde poucos materiais e o desenho preciso criam um refúgio silencioso em plena cidade.

Cobertura da moradia branca, com terraço iluminado. Vista para telhados de barro e o horizonte urbano ao anoitecer — Beira Mar II arquitectura Paulo Martins fotografia Ivo Tavares

INFORMAÇÃO TÉCNICA

ATELIER DE ARQUITETURA
ARQUITETO RESPONSÁVEL
Paulo Martins
COLABORAÇÃO
Hugo Ferreira
LOCALIZAÇÃO
ANO DE CONCLUSÃO DA OBRA
ÁREA TOTAL CONSTRUÍDA (M2)
98 m2
CONSTRUTORA
Construlautus Engenharia e Construção
FOTÓGRAFO

DESCRIÇÃO DO PROJETO

"Paulo Martins Arquitectura e Design tem o prazer de anunciar “Beira Mar II”. Situado no bairro da Beira-Mar, em Aveiro, onde as ruas se dobram, os lotes se torcem e a cidade cresce por sobre si própria, nasce uma casa pequena mas intensamente pensada. Num terreno irregular e mínimo, o projeto não tenta corrigir a forma do lugar. Aceita-a. E a partir dela constrói. A moradia nasce do diálogo entre duas forças: a organicidade do bairro e a precisão do desenho. As geometrias são claras, os alinhamentos firmes, a linguagem é contemporânea mas nunca indiferente ao que a rodeia. Não copia a cidade: escuta-a. Ao nível da rua, a madeira aproxima. Toca. Acolhe. O edifício não se impõe: conversa com quem passa. Acima, o cerâmico branco assume-se como memória reinterpretada; eco distante da tradição azulejar de Aveiro, agora depurada, silenciosa, quase abstrata. A casa organiza-se em dois níveis voltados a poente, perseguindo a luz como matéria essencial. Um pátio vertical abre o tardoz ao céu, deixando que o azul desça pelo interior. Uma linha luminosa atravessa o espaço como gesto arquitetónico, guiando o olhar, desacelerando o corpo, afastando a mente do ruído da rua. Os quartos pousam no piso térreo, recolhidos, calmos. O espaço social sobe, para poder ver mais longe. Ali, um grande plano de vidro dissolve os limites entre dentro e fora. A casa deixa de ser caixa e passa a ser lugar de luz. O sol entra, atravessa, fica até ao último instante do dia.No topo, o terraço não é apenas exterior. É miradouro, é pausa, é respiração. A cidade estende-se aos pés. A cúpula de São Gonçalinho marca o horizonte. As salinas, ao fundo, devolvem ao céu o dourado do pôr do sol. Aqui, o tempo abranda. No interior, quase nada pesa. Os espaços são livres, prontos a mudar com quem os habita. Poucos materiais, muita intenção. A luz desenha percursos. As perspetivas surpreendem. A casa não se explica, descobre-se. Com apenas 98 m2 num lote de 51 m2, esta moradia não é um exercício de contenção, mas de precisão. Cada gesto é necessário. Cada linha tem sentido. É arquitetura que usa menos para dar mais: mais luz, mais cidade, mais forma de viver. “Com o projecto Beira Mar II, a nossa visão foi escutar atentamente o lugar e transformar as suas limitações numa arquitectura precisa, luminosa e profundamente habitável”, explica Paulo Martins. “Criámos uma casa que se integra na malha orgânica do bairro e que, ao mesmo tempo, oferece um afastamento subtil do ritmo da cidade. Num lote mínimo e irregular, o principal objectivo foi desenhar um espaço onde a luz, a proporção e o silêncio construíssem uma forma de viver mais consciente. Este projecto é uma celebração da arquitectura pensada ao detalhe, que utiliza poucos materiais com máxima intenção para criar uma experiência de habitar serena, equilibrada e genuinamente feita à medida.” "
Texto fornecido pelo atelier de arquitetura.
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