DESCRIÇÃO DO PROJETO
" É consensual que o exercício da arquitectura nunca parte de uma folha branca e em branco. Há
sempre algo, por pouco que seja, intrínseco a nós mesmo e inerente ao contexto que nos envolve,
que alimenta a nossa mente, que densifica o nosso conhecimento, que se guarda e se fixa por
importância, emoção ou curiosidade.
Projectar sobre realidade edificada existente é acrescentar informação à dita “folha branca” e à
História, conjugando o desafio de lidar com o existente e suas características e de aproveitar as
potencialidades e oportunidades que se geram e guardam em si mesmo.
Tal ainda mais se acentua quando o promotor da intervenção, no caso, futuro habitante, deseja,
natural e legitimamente, “o melhor dos dois mundos”: preservar o que de bom encontra nas pedras
erguidas e caiadas que formam a construção escolhida para morar; adicionar contemporaneidade e
conforto e bem-estar; motivar a criação de um microcosmo habitacional único e irrepetível
transformador da realidade num verdadeiro lar, no “meu lar”.
E esta terá sido a maior dificuldade do projecto. Esta terá sido a maior dor dos promotores… porque,
na verdade, até se alcançar a solução final (ou seja, até à apropriação total e capaz), a dúvida não
se apaga, persistindo e insistindo…
A solução encontrada guarda em si mesmo a perenidade do existente feito de paredes estruturais
grossas e graníticas, a cobertura feita vários planos inclinados revestidos a telha, desenho de vãos
e caixilharias replicados, entre outros, com espaços reinventados e redimensionados, numa
ambiência contemporânea, de ligação ao espaço exterior privado expressa , mas resguardada dos
“olhos do domínio público”, de objectos pontuais de dinâmica vivencial e decoração, de tempos e
soluções que, acredita-se, torna esta construção intemporal.
O grande desafio foi este: responder ao tempo presente, respeitar o tempo passado, adivinhar o
tempo futuro, tudo condensado na construção sólida construtivamente, bonita ao nível estético,
eficaz no modo funcional, racionalmente equilibrada, emocionalmente afectiva.
No final, fica o esforço de tudo tentar conjugar, a satisfação de tudo se afigurar compatibilizado e
harmonizado e a expectativa de que o futuro confirme o desejado: a felicidade de quem habitará o
edifício. Afinal, é para isso que se projecta e “se faz arquitectura” "
Texto fornecido pelo atelier de arquitetura







































































