FOTÓGRAFO DE
ARQUITETURA

IVO TAVARES
STUDIO

PROJETO ANTIGO

Casa Coqueira, de Tiago Sousa Arquitecto em Paredes de Coura, é uma casa contemporânea de betão aparente com laje suspensa sobre muros de granito centenário, que se abre em vistas contínuas sobre os vales do Minho. Uma planta quadrada, varanda perimetral e clarabóia central definem um interior onde a madeira aquece.

Vista aérea da moradia com cobertura plana em gravilha, varandas e integração na paisagem montanhosa e rural — CASA COQUEIRA arquitectura Tiago Sousa Arquitecto fotografia Ivo Tavares

INFORMAÇÃO TÉCNICA

ATELIER DE ARQUITETURA
ARQUITETO RESPONSÁVEL
ARQ. TIAGO SOUSA
LOCALIZAÇÃO
ANO DE CONCLUSÃO DA OBRA
ÁREA TOTAL CONSTRUÍDA (M2)
140.00m2
CONSTRUTORA
JOSÉ MANUEL BARREIRO
PAISAGISMO
ARQ. TIAGO SOUSA
ILUSTRAÇÕES
ALEX RODRIGUES
FOTÓGRAFO

DESCRIÇÃO DO PROJETO

"Geometria, planos e um volume suspenso.

O terreno organiza-se em duas cotas distintas. A cota superior é a maioria do terreno e beneficia

de acesso pela via superior. Já a cota inferior resulta de um desaterro, ligado à via inferior e é uma

plataforma plana contida entre grandes muros de granito de suporte de terras.

A moradia apresenta-se como um volume monolítico e transparente, desenvolvido num único

piso, que se eleva sobre o terreno e se afirma na paisagem. Assente sobre planos verticais de

betão que se erguem desde a plataforma inferior até à cota superior (5m de altura), a casa

sobreleva-se e tira partido da cota para se afastar das construções existentes e abrir uma vista

contínua sobre os vales.

Esta solução permite, simultaneamente, uma relação mais direta com a propriedade situada à

cota superior bem como uma separação com a construção envolvente. A implantação resulta do

equilíbrio entre vários fatores: a valorização da vista, o afastamento face às construções

envolventes e a articulação cuidada com o terreno.

À cota inferior, entre os muros de granito existentes e o acesso à via principal, os planos definem

espaços e percursos, organizando zonas verdes, áreas de apoio e a própria marcação de entrada

da habitação.

Este é um espaço exterior resultado da implantação e do sítio.

A geometria afirma-se na planta da moradia, inscrita numa forma elementar e rigorosa: o

quadrado. O espaço de distribuição que também decorre dessa matriz geométrica caracteriza-se

por uma ambiguidade espacial. Em cada canto deste hall de entrada/distribuição tem uma porta

que conduz a um novo espaço, mas, ocultados por um revestimento continuo em madeira. Aqui, a

claraboia quadrada assume um papel central, valorizando o ambiente com a entrada de luz natural

e aliviando a sensação ambígua criada pela “inexistência “de saída.

A organização da planta da habitação resulta do jogo de planos alinhados e provenientes desta

base geométrica do quadrado (hall de entrada). Os dois planos horizontais — piso e cobertura —

constituem a exceção a essa lógica, rematando a composição e ampliando a experiência espacial.

No seu perímetro, surgem zonas intermédias de carácter indefinido que se articulam diretamente

com os espaços interiores, formando uma varanda contínua em todo o perímetro.

Do ponto de vista construtivo, destacam-se o betão, enquanto elemento estrutural, o vidro, pela

sua imaterialidade, e a madeira, que introduz uma dimensão mais humana e acolhedora. O tom

quente da madeira estabelece um contraste equilibrado com o carácter minimalista e austero do

betão.

No conjunto, o jogo de planos, o minimalismo e a funcionalidade espacial traduzem de forma

coerente o princípio “menos é mais”, associado ao pensamento de Mies van der Rohe"

Texto fornecido pelo atelier de arquitetura

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