FOTÓGRAFO DE
ARQUITETURA

IVO TAVARES
STUDIO

PROJETO ANTIGO

MS Collection Arouca pela MIMOOL ARQUITECTURA & INTERIORES transforma a ala sul de um mosteiro secular num hotel de 5 estrelas. O projeto escuta a pedra original e inspira-se na simplicidade da vida das freiras, cruzando o silêncio histórico das antigas celas com o conforto contemporâneo.

Piscina interior com teto abobadado, coluna central e vista panorâmica para a relva, com luz natural — MS COLLECTION AROUCA arquitectura MIMOOL ARQUITECTURA & INTERIORES fotografia Ivo Tavares

INFORMAÇÃO TÉCNICA

ATELIER DE ARQUITETURA
ARQUITETO RESPONSÁVEL
Rui Loureiro, Fábio Milhazes
Ana Ferreira, Joana Monteiro
LOCALIZAÇÃO
ANO DE CONCLUSÃO DA OBRA
DECORAÇÃO DE INTERIORES
MIMOOL ARQUITECTURA & INTERIORES
FOTÓGRAFO

DESCRIÇÃO DO PROJETO

"A reabilitação do antigo Mosteiro de Santa Maria de Arouca, classificado como Monumento Nacional desde 1910, propõe a transformação de parte significativa do conjunto monástico numa unidade hoteleira de cinco estrelas, integrada no programa REVIVE. Mais do que uma operação de adaptação funcional, o projeto afirma-se como um exercício de continuidade histórica, onde arquitetura, memória e paisagem se articulam numa nova narrativa de uso e permanência.

A intervenção concentra-se na Ala Sul do Mosteiro, estendendo-se aos edifícios da antiga Enfermaria, Botica e Apoios Agrícolas, bem como à vasta área da Cerca conventual. A estratégia privilegia uma abordagem silenciosa e respeitadora, evitando gestos formais dominantes e permitindo que o valor patrimonial existente permaneça protagonista.

A arquitetura contemporânea surge como presença discreta, capaz de revelar e reinterpretar as qualidades espaciais existentes sem as sobrepor.

A proposta parte da leitura da estrutura conventual que, durante séculos, organizou a vida monástica.

No piso térreo, as arcadas em pedra — outrora espaços de trabalho e vivência comum — são reinterpretadas como áreas de receção e convívio, onde a luz e a materialidade reforçam uma atmosfera de recolhimento e solenidade. A intervenção valoriza a escala, a textura e a profundidade destes espaços através de uma iluminação subtil, reforçando a atmosfera de recolhimento que caracteriza o lugar.

Nos pisos superiores, os longos corredores mantêm-se como eixo estruturante da experiência hoteleira. A cadência das antigas celas é preservada através de uma ocupação que minimiza alterações construtivas e salvaguarda a compartimentação histórica. O conforto contemporâneo integra-se com discrição, respeitando a sobriedade material e espacial do edifício existente.

A antiga enfermaria, anteriormente em estado de ruína, acolhe o programa do SPA e constitui um dos momentos mais expressivos da intervenção. A proposta assume os vestígios arqueológicos como matéria ativa do projeto, permitindo que o novo volume dialogue diretamente com as fundações históricas. Suspenso sobre um embasamento transparente, o edifício estabelece uma relação simultaneamente leve e precisa entre passado e presente, onde a ruína deixa de ser memória estática para integrar a experiência arquitetónica.

A Botica é adaptada a espaços de lazer e lounge, mantendo praticamente intacta a sua configuração original e articulando-se com uma horta e pomar requalificados.

Na zona nascente da Cerca, surge um novo edifício destinado às áreas técnicas e de apoio ao funcionamento do empreendimento.

Articulado por uma cobertura ajardinada, concentra as áreas logísticas — parcialmente implantadas em subsolo para preservar a leitura do conjunto — e um programa complementar que integra balneários, ginásio e sala de conferências, em ligação direta com a piscina e os espaços exteriores. A linguagem arquitetónica assume-se contemporânea, mas contida, alternando superfícies envidraçadas com planos opacos de tonalidade clara, procurando integrar-se na paisagem sem competir com o património histórico.

O antigo edifício de Apoio Agrícola é preservado na íntegra e convertido em bar de apoio às áreas exteriores, prolongando a lógica de reutilização cuidadosa presente em toda a intervenção.

A Cerca do Mosteiro assume-se como extensão natural do projeto. Entre a Mata arborizada e as áreas mais abertas, a proposta recupera a estrutura paisagística existente através da criação de percursos pedonais, zonas de estadia e espaços de recreio. Tanques, fontes e vestígios patrimoniais são integrados num circuito de visita que reforça a leitura histórica do lugar. Junto à Ribeira de Silvares, a introdução de uma piscina exterior e áreas de permanência estabelece uma relação direta entre arquitetura, água e paisagem.

A proposta procura afirmar um equilíbrio entre preservação e transformação, onde o novo uso não se sobrepõe à história, mas a prolonga.

O hotel surge como instrumento de revitalização patrimonial e cultural, devolvendo ao conjunto uma vivência contemporânea ancorada na memória, no silêncio e na permanência do tempo."

Texto fornecido pelo atelier de arquitetura.

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