FOTÓGRAFO DE
ARQUITETURA

IVO TAVARES
STUDIO

PROJETO ANTIGO

Umber Duplex

Quarto com cama, banheira de imersão e casa de banho integrada com paredes de mármore e vidro — Umber Duplex

Umber Duplex, do atelier de arquitetura ID Concept, é um apartamento em Lisboa feito de texturas: madeiras de veio intenso, travertino, tapetes berberes e arte africana.

Quarto com cama, banheira de imersão e casa de banho integrada com paredes de mármore e vidro — Umber Duplex

INFORMAÇÃO TÉCNICA

ATELIER DE ARQUITETURA
ARQUITETO RESPONSÁVEL
Daniela Silva Salgueiro
COLABORAÇÃO
Daniel Duarte
LOCALIZAÇÃO
ANO DE CONCLUSÃO DA OBRA
ÁREA TOTAL CONSTRUÍDA (M2)
415
DECORAÇÃO DE INTERIORES
ID Concept
FOTÓGRAFO

DESCRIÇÃO DO PROJETO

"No Umber Duplex, uma arquitetura de linhas rigorosas e depuradas serve de
contraponto a uma composição mais quente, táctil e expressiva, onde madeiras de veio intenso, arte africana, peças de autor e referências artesanais constroem uma identidade profundamente pessoal.

 

O primeiro contacto com o apartamento revelou imediatamente algumas das suas maiores qualidades: áreas generosas, três frentes e uma excelente exposição solar, que lhe conferiam um elevado potencial de transformação. Em contraste, os interiores apresentavam acabamentos datados, uma decoração demasiado densa e uma compartimentação excessiva das áreas sociais, separando cozinha, sala de jantar e sala de estar e limitando a continuidade espacial e a propagação da luz natural.

 

A abertura da zona social tornou-se, por isso, um dos principais objetivos da intervenção. O maior desafio surgiu na cozinha, quando a cliente manifestou o desejo de poder abri-la completamente para a sala, mantendo simultaneamente a possibilidade de a encerrar. A resposta passou pela integração de um sistema italiano de caixilharia móvel, sem calha no pavimento, cujas folhas podem ser recolhidas e estacionadas de forma discreta, sem interferir com a circulação. A entrada da lavandaria foi igualmente integrada no desenho da cozinha, reduzindo o ruído visual do conjunto.

 

O programa foi profundamente moldado pela personalidade e pelo modo de vida dos clientes. Executiva e colecionadora de malas e sapatos de luxo, a cliente pretendia que estas peças adquirissem no quarto uma presença semelhante à de uma montra. Perante a impossibilidade de criar um closet autónomo, foi desenhado um roupeiro à medida ao longo de toda a suíte, com portas envidraçadas, caixilharia em cobre, vidro de efeito espelhado e interiores folheados a pau-cetim e iluminados. A televisão permanece oculta atrás do envidraçado, preservando a continuidade do plano.

O mesmo desejo de sofisticação conduziu à criação de instalações sanitárias concebidas como “caixas de vidro”, abertas visualmente para os quartos e beneficiando da sua luz natural. A banheira estabelece uma relação direta com a suíte, aproximando da atmosfera de universo hoteleiro pretendido pelos clientes.

 

O conceito do Umber Duplex nasce do equilíbrio entre dois universos: uma arquitetura rigorosa, depurada e contemporânea e uma dimensão mais quente, táctil e cultural. O nome Umber, associado aos pigmentos naturais de terra, traduz a paleta de castanhos, ocres e tonalidades minerais que atravessa o projeto.

 

Nas carpintarias predominam folhas naturais de pau-santo, pau-cetim e hard maple, conjugadas com travertino na cozinha e porcelanatos marmoreados nas instalações sanitárias. Perante a forte expressão gráfica dos veios da madeira nos planos verticais, optou-se por uma base mais neutra nos pavimentos e tetos. Um porcelanato em tons de areia permite ainda prolongar visualmente o pavimento para as varandas, reforçando a continuidade entre interior e exterior.

 

A aparente simplicidade dos planos esconde uma execução exigente: veios casados, superfícies alinhadas e soluções técnicas ocultas exigiram grande rigor em obra para alcançar planos contínuos e visualmente silenciosos. Ao longo do dia, a luz proveniente das três frentes altera a leitura destes materiais, revelando diferentes profundidades, brilhos e tonalidades e reforçando a dimensão sensorial dos interiores.

 

A singularidade do projeto reside precisamente nos contrastes. A contenção arquitetónica convive com madeiras expressivas, tapetes berberes, objetos artesanais e arte africana, numa referência subtil às origens dos clientes. Peças de referência do design italiano, de autores como Patricia Urquiola, Studiopepe, Giuseppe Bavuso e LucidiPevere, coexistem com peças da ID Concept desenhadas por Daniel Duarte, conferindo identidade e autoria ao conjunto.

 

No resultado final, os diferentes contrastes que estruturaram o projeto revelam-se em equilíbrio. A intensidade das madeiras, a neutralidade dos planos, a presença da arte e das peças de autor coexistem numa atmosfera coesa, serena e profundamente identitária."

Texto fornecido pelo atelier de arquitetura.

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