FOTÓGRAFO DE
ARQUITETURA

IVO TAVARES
STUDIO

PROJETO ANTIGO

Casa sem Rua, do atelier de arquitetura Urbastudios, é uma moradia no Porto escondida no meio de um quarteirão. Entra-se por um corredor estreito de uma ilha típica do Porto e, depois do portão, a casa revela-se: madeira, muita luz e uma escada que se alarga num pequeno anfiteatro.

Fachada principal da moradia com revestimento branco, varanda e escadaria exterior — Casa sem Rua

INFORMAÇÃO TÉCNICA

ATELIER DE ARQUITETURA
ARQUITETO RESPONSÁVEL
Nuno Alves de Carvalho
LOCALIZAÇÃO
ANO DE CONCLUSÃO DA OBRA
ÁREA TOTAL CONSTRUÍDA (M2)
150m2
FOTÓGRAFO

DESCRIÇÃO DO PROJETO

"Um refúgio inesperado que a cidade esconde e o portão revela.

 

Habitar o espaço entre duas ruas em plena cidade é a condição que dá origem à Casa Sem Rua. Implantada no interior de um quarteirão tradicional do Porto, sem contacto direto com qualquer arruamento e completamente invisível a partir do espaço público, a casa pertence à cidade, embora a experiência de a habitar permaneça protegida da exposição e da intensidade da vida urbana.

A nascente, o acesso principal faz-se através do estreito corredor de uma ilha. A poente, uma segunda entrada atravessa a serventia de um edifício vizinho. No interior do lote, os dois acessos são ligados por um corredor exterior que acompanha toda a fachada sul. As duas entradas correspondem também a cotas distintas, reconciliadas pelo percurso através da propriedade.

A experiência do projeto começa antes da entrada na habitação. A proporção estreita do corredor da ilha comprime o percurso, limita o campo visual e impede que se antecipe o que existe para além do portão. Ao atravessá-lo, o visitante não entra imediatamente na casa, mas num corredor exterior onde a moradia começa a revelar-se. A surpresa resulta do contraste entre compressão e abertura, sombra e luz, densidade urbana e refúgio doméstico.

À direita, no prolongamento das casas da ilha, surge um volume autónomo de madeira e vidro que assinala a entrada principal. A sua autonomia permite entendê-lo como uma espécie de plug-in acoplado ao extremo da casa, embora desempenhe um papel estrutural na organização da habitação. A cota de entrada situa-se entre os dois pisos. A partir daqui, desce-se meio piso para alcançar a zona social ou sobe-se meio piso para chegar à área privada.

Este volume luminoso articula entrada, distribuição e permanência. A escada desenvolve-se num espaço de pé-direito duplo, atravessado pela luz dos grandes envidraçados. No nível inferior, o primeiro lance em betão alarga-se para o dobro da largura necessária à circulação, adquirindo a configuração de um pequeno anfiteatro doméstico. Os degraus tornam-se lugares onde é possível sentar, conversar ou observar a vida da casa. No patamar superior, a circulação dá acesso aos quartos e abre-se para um pátio exterior. O microcimento do lance inferior relaciona-se com o piso social, enquanto a madeira da metade superior anuncia o ambiente mais íntimo da zona privada.

No piso inferior, a sala e a cozinha ocupam um espaço contínuo, marcado por um degrau entre os dois ambientes. Uma caixa de madeira esconde a instalação sanitária social, o único elemento fechado deste nível. A poente, um grande vão prolonga a sala até ao terraço, transformando-o numa extensão do interior. No piso superior encontram-se dois quartos, uma instalação sanitária comum e uma suite cujo teto acompanha a geometria da cobertura de duas águas.

A luz, a madeira, as cores e as texturas equilibram a contenção formal do projeto e conferem-lhe uma atmosfera descontraída, próxima de uma casa de férias. Apesar da densidade envolvente, a distância relativamente às ruas cria uma inesperada sensação de tranquilidade.

As limitações de acesso condicionaram também a construção. A estrutura em Light Steel Framing foi escolhida pela leveza e pela facilidade de transporte e montagem dos seus componentes através das estreitas passagens existentes. A implantação define, assim, tanto a experiência da casa como a sua lógica construtiva.

Entre duas ruas, diferentes cotas, exterior e interior, memória urbana e habitação contemporânea, a Casa Sem Rua encontra a sua identidade numa sucessão de condições intermédias. Um refúgio inesperado que a cidade esconde e o portão revela."

Texto fornecido pelo atelier de arquitetura.

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