DESCRIÇÃO DO PROJETO
"A proposta desenvolve uma habitação unifamiliar de carácter contemporâneo, implantada num território de forte identidade rural.
O projecto nasce da vontade de criar uma casa intimamente ligada ao lugar e a uma forma de habitar próxima da natureza, onde a vida familiar se desenvolve numa relação contínua entre casa, jardim e território.
Mais do que ocupar a parcela, a habitação procura estabelecer com ela uma relação de continuidade, preservando a escala rural existente e transformando a paisagem envolvente numa parte integrante da experiência quotidiana.
Conceito Arquitectónico
Como construir uma casa contemporânea sem perder a relação com a terra onde nasce?
Foi esta a questão de partida para uma habitação integrada num programa de ocupação de grandes parcelas de terreno, organizadas através da criação de seis lotes — as denominadas “Quintinhas” — procurando preservar uma escala de ocupação próxima da matriz rural existente.
Neste contexto, cada habitação é chamada a estabelecer uma relação particular com a sua parcela, evitando uma lógica convencional de loteamento e procurando manter a presença do território, da vegetação e da paisagem como elementos estruturantes.
O projecto nasce da vontade de criar uma casa para uma família que procurava mais do que um espaço para viver. Procurava uma casa próxima do jardim, da natureza e da paisagem, onde o quotidiano pudesse acontecer entre dentro e fora, entre a protecção da casa e a liberdade do exterior.
Num território de forte identidade rural, a resposta não passou por reproduzir a arquitectura tradicional, mas por recuperar alguns dos seus princípios essenciais: a relação directa com a terra, a sombra, o pátio, o alpendre e a presença da matéria.
Surge assim uma casa térrea, horizontal e contida, que concentra a construção e deixa o jardim assumir um papel activo na experiência de habitar.
Conceito e Espaço
A casa acompanha a lógica do terreno e orienta-se para sul, abrindo os espaços de permanência para o jardim e para a paisagem.
A chegada é pensada como uma descoberta. Da rua, atravessa-se um primeiro espaço de transição até ao acesso pedonal; um rasgo de luz marca a passagem para a casa e, progressivamente, o jardim começa a revelar-se.
A arquitectura constrói-se através destes momentos intermédios. Os pátios introduzem luz, vegetação e privacidade. Os grandes vãos enquadram a paisagem. E o alpendre prolonga a casa para o exterior, funcionando como uma verdadeira sala aberta ao jardim.
Aqui, interior e exterior deixam de ser limites rígidos. Tornam-se diferentes momentos de uma mesma experiência.
Organização e Funcionalidade
A organização longitudinal acompanha esta ideia de percurso e de descoberta.
Um primeiro corpo reúne o aparcamento e os espaços de serviço, funcionando como filtro entre a rua e a habitação. O hall constitui o centro da casa, articulando as áreas sociais e privadas e estabelecendo uma relação directa com um pátio ajardinado.
Sala e cozinha abrem-se para o jardim e para o alpendre, permitindo que a vida familiar se prolongue naturalmente para o exterior.
Mais resguardada, a zona privada desenvolve-se ao longo de um eixo de maior intimidade, culminando no quarto principal, associado a um pátio próprio de luz e privacidade.
A casa não é apenas organizada por funções, mas por diferentes graus de proximidade: da rua à intimidade, da luz à sombra, do interior à paisagem.
Luz, Matéria e Construção
A matéria foi escolhida para estabelecer uma relação física e sensorial com o lugar.
O granito ancora a casa no território. A sua massa, textura e capacidade de envelhecer aproximam a construção da paisagem rural.
O betão aparente introduz precisão e contemporaneidade, definindo os planos horizontais e a geometria da habitação. O vidro abre esses planos para o jardim, enquanto o alumínio filtra a luz e a privacidade.
O zinco, nos alpendres, introduz leveza e prolonga a horizontalidade da casa sobre o jardim. As coberturas ajardinadas fazem o movimento inverso: trazem a paisagem sobre a construção.
A luz completa esta matéria. Ao longo do dia, percorre e transforma os espaços, revelando texturas, criando sombras e alterando a percepção do granito, do betão e do vidro.
Integração no Lugar
A casa procura uma presença simultaneamente afirmada e discreta.
A sua horizontalidade e escala contida permitem que a vegetação continue a dominar a parcela. O granito marca os momentos de chegada; nos restantes limites, a vedação torna-se permeável e deixa que o jardim participe na construção da fronteira.
Não se procura fazer desaparecer a arquitectura, mas fazê-la pertencer ao lugar.
Entre a memória da casa rural e a liberdade da arquitectura contemporânea, entre a matéria e a luz, entre o abrigo e o jardim, nasce uma casa pensada não apenas para estar num território, mas para o habitar."
Texto fornecido pelo atelier de arquitetura























































