FOTÓGRAFO DE
ARQUITETURA

IVO TAVARES
STUDIO

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A Casinha da Melroeira, desenhada pelo atelier Filipe Saraiva - Arquitectos, transforma uma ruína histórica em Ourém num refúgio contemporâneo que respeita a identidade local.

Sala de jantar: Vista da sala de jantar com cozinha, mesa de madeira e escadas brancas. — CASINHA DA MELROEIRA arquitetura Filipe Saraiva Arquitectos em Ourém

INFORMAÇÃO TÉCNICA

ATELIER DE ARQUITETURA
ARQUITETO RESPONSÁVEL
Filipe Saraiva
COLABORAÇÃO
Arq. Samuel Silva, Arq. Jéssica Casalinho
LOCALIZAÇÃO
ANO DE CONCLUSÃO DA OBRA
ÁREA TOTAL CONSTRUÍDA (M2)
116,10 m2
FOTÓGRAFO

DESCRIÇÃO DO PROJETO

"Edificada sobre uma preexistência, a “Casinha da Melroeira”, situada em Ourém, segue a mesma linguagem volumétrica da “Casa da Melroeira” localizada na parcela anexa. As casas relacionam-se pela sua forma pentagonal, no entanto, a sua escala e ligação com o contexto são diferentes e consequentes da sua comunicação com a envolvente imediata. O processo de conceção da moradia foi singular pela familiaridade do lugar e imagem permanente daquela que era a ruína que todos os dias fazia parte da paisagem da casa da Melroeira, o lugar onde o Arquiteto habita. A carga simbólica que a ruína imprimia esteve sempre associada à antiguidade da construção, mas, sobretudo, à eira que existia na frente da casa, junto à via pública. Foi a condição da eira que determinou o ponto de partida para o desenho da Casinha: uma casa que se desenvolve em torno deste centro, para o qual se abrem os espaços principais: quartos e sala de estar. Volumetricamente manteve-se os limites da preexistência e, consequente da área reduzida da parcela, os vazios recortados na massa do volume permitiram a criação de espaços exteriores diversificados que complementassem o uso do interior. Estes vazios, propositadamente, não são recortados em ortogonalidade com as paredes exteriores. A sua orientação foi consequente de uma procura de diferentes ângulos de iluminação natural que possibilitem aos espaços interiores usufruir de ambientes múltiplos em função das várias horas do dia. Para além disso, o posicionamento de alguns vãos, nomeadamente o do escritório e o da instalação sanitária do piso 2, orientam-se sobre o castelo de Ourém, compondo um quadro quadrado para quem observa do interior. Não existindo um cliente final para quem a casa fosse desenhada, o desafio foi o objeto em si mesmo: preservar a memória e a presença da casa no seu contexto ao mesmo tempo que se explora a relação entre o corpo e a vida familiar a partir de áreas reduzidas sem que se comprometa a boa relação entre espaços e o conforto de cada ambiente. Para além disso, as circunstâncias permitiram que o objeto tornasse o próprio processo num exercício experimental não só em termos de desenho através do detalhe expresso nas serralharias exteriores (caixa de correio, guardas, gárgulas, chaminé ou próprio depósito de lenha), como em soluções técnicas e construtivas que permitiram que o volume apresentasse esta continuidade entre as paredes e a cobertura. Quando pensamos em casa, inevitavelmente somos invadidos pela sensação de refúgio e de um espaço que contribua emocionalmente para o nosso bem-estar. Ao entrar na Casinha, a existência imediata de um pé direito duplo que usufruiu da forma pentagonal do volume, confere uma espacialidade que nos remete para uma sensação de grande amplitude provocada pela abertura em profundidade e em altura. Este espaço, conduz-nos a outros momentos que, em contraponto com o anterior, assumem uma escala reduzida que nos acolhe. No interior, a casa vive desta diversidade espacial, no entanto os objetos que a compõem assumem um elevado protagonismo. Foram selecionadas várias peças de mobiliário de lojas de antiguidades, usados elementos da natureza como peças decorativas e criados objetos artesanais pelo próprio arquiteto, tais como a escultura dos melros localizada no nicho sobre a entrada, em alusão à aldeia “Melroeira” (nome que provém da existência de muitos melros nesta zona), os vários quadros com melros ou com pinturas de perspetivas do exterior da casa, o candeeiro artesanal da mezanine ou a transformação do candeeiro da sala de jantar. Peças estas que coexistem de forma equilibrada com simples peças de decoração correntes do mercado, ou até com a poltrona Shell de Hans Wegner, também ela adquirida em segunda mão. É este equilíbrio entre memória, novas soluções técnicas e reciclagem e reaproveitamento de elementos que conferem à casa a experiência de um ambiente aconchegante, mas, sobretudo a sua marca própria de sustentabilidade. de um ambiente de tal forma calmo e aconchegante, capaz de se tornar numa extensão e porto de abrigo de quem o habita. "
Texto fornecido pelo atelier de arquitetura.
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