DESCRIÇÃO DO PROJETO
"A curta distância da linha de metro do Porto, encontramos uma periferia onde o passado e o presente se entrelaçam. Nesta região, centralidades ancestrais convivem com loteamentos recentes, cujos projetos, muitas vezes de desenho anónimo, privilegiam a construção de moradias unifamiliares. Ainda um território expectante, surpreendentemente, os campos agrícolas subsistem, resistindo às transformações urbanísticas que lentamente moldam a paisagem ao seu redor. O exercício estava pré-definido: um lote regular, com uma implantação em L, defendido por dois pisos a norte, criando um logradouro soalheiro. Seria necessário conferir-lhe materialidade e robustez, resolver as diferenças significativas de cotas com os lotes vizinhos e, fundamentalmente, estabelecer uma relação harmoniosa com a rua, contrariando a ideia de que apenas grandes muros, que tudo escondem, garantem privacidade. Assim, ao mesmo tempo que toda a casa se abre ao logradouro, com grandes vãos numa relação direta com o exterior, imperceptível da rua, expõe-se à comunidade com um gradeamento que limita, mas não oculta sua presença. O granito, pedra típica da região, surge em todos os pavimentos e envolve a casa, esticando o seu desenho através do envasamento e de alguns elementos como os bancos e a piscina. Como se a casa emergisse do chão, o tijolo-face-à-vista preto, por um lado defensivo e por outro expressivo, acentua a sua solidez. Todos os alçados têm vãos pontuais, estrategicamente voltados para a paisagem. No entanto, os vãos a sul assumem-se enquanto fachada, sempre protegidos da exposição solar. Esses vãos incluem espaços intermédios que não são totalmente interiores nem exteriores, como as varandas dos quartos do piso superior, garantindo-se conforto e privacidade. "















































